Voz aos nossos alunos…

Damos continuidade à divulgação de textos da autoria dos nossos alunos, o de hoje publicado no jornal “Farol de Esposende”, na edição do dia 10 de julho.

A leitura de “A pandemia e a minha vida” leva-nos a relembrar as inimagináveis transformações impostas pela pandemia e o impacto que esta teve na vida de todos e, em particular, na vida da pequena autora do texto, a Constança, uma menina de 11 anos que frequenta o 5.º ano na nossa escola.

Leitura aconselhada!

“Porque devemos ler?”

Vale a pena encorajar uma criança a ler, para além do que é necessário para a escola? Sem dúvida. Embora todos tenhamos de reconhecer que se trata de uma tarefa difícil.

Muitas crianças ficam entusiasmadas quando começam a ler, a partir daquele momento mágico em que a junção das letras começa a fazer sentido. No entanto, muita gente nova depressa abandona o hábito de ler, sobretudo na adolescência. Nesta época da vida, em que tanta coisa nova preenche o quotidiano, a leitura raramente ocupa um tempo significativo.

Há muitas razões que explicam esta situação. Pais e professores leem pouco e em muitas casas não existem livros. As leituras obrigatórias na escola não costumam entusiasmar os mais novos. Os livros são caros e nem sempre as edições são muito atrativas (por exemplo, deveriam conter muito mais dados sobre a vida dos escritores). As novas tecnologias, pela facilidade de utilização, pronta resposta e luz própria, fazem com que muitas crianças e jovens as usem com frequência. Não as devemos criticar por isso, porque o caminho para a leitura de livros é algo que devemos partilhar, sem hostilizar a internet.

Faz bem ler? Sim. Em primeiro lugar, o livro é um companheiro que se transporta para qualquer lugar e que nos acalma quando estamos sós, tristes ou irritados. Depois, porque é um poderoso estímulo à nossa imaginação.

Sabe-se que o cérebro se está a desenvolver até aos 24 anos, pelo menos. As ligações cerebrais são estimuladas pela concentração necessária à leitura. Voltar atrás, relembrar o nome de um personagem, imaginar como poderia ser na realidade uma página que retrata um cenário de sonho, colocar-se a si mesmo no centro de ação, memorizar um poema: todas estas ações são alimento para o nosso cérebro e provocam novas conexões cerebrais. Deste modo, a criança cresce emocionalmente e o seu cérebro desenvolve-se.

Ler bastante e falar do que se leu aumenta o vocabulário e facilita a expressão oral, que infelizmente não é o forte em muitos dos nossos jovens. Ler em família estimula a partilha e a comunicação entre todos. Ler sozinho é o melhor antídoto contra o tédio.

Vamos ler?

Por Daniel Sampaio

 

Leia mais artigos sobre o tema da leitura aqui!

Voz aos nossos alunos…

Os tempos atípicos que vivemos e as mudanças provocadas pela pandemia, nomeadamente no que respeita ao modelo de ensino, convidou à reflexão e à escrita de pequenos textos por parte de alguns dos nossos alunos.

Hoje, partilhamos os textos da autoria do Pedro Carvalho (4.º ano) e da Sofia Rodrigues (7.º ano), publicados na edição do dia 12 de junho, no Jornal “Farol de Esposende”.

 

#leituraspartilhadas43

Chico Buarque da Holanda – cantor, compositor, mas também ficcionista de peças de teatro, romances e novela – deixa-nos espreitar por uma fresta para dentro de um compartimento da sua vida. No entanto, o romance não é autobiográfico. Há um misto de factos verdadeiros e de imaginados. A história prende o interesse do leitor ao acompanhar a história de um jovem de vinte e dois anos numa atribulada busca de um irmão que desconhecia ter.
O seu pai, ainda solteiro, tinha tido um caso amoroso com uma senhora alemã, Anne Ernst, enquanto correspondente de um jornal em Berlim. Cerca de um ano depois regressou ao seu país, o Brasil, onde foi professor universitário, diretor de museu, sendo possuidor da segunda maior biblioteca da cidade de S. Paulo. No casamento ainda teve sete filhos de cujas relações afetivas também ficamos a conhecer algo na obra. E, mais de quarenta anos passados sobre o nascimento do irmão alemão, precisamente na biblioteca do pai, o narrador tomou conhecimento da existência e naturalidade de Sergio, o irmão alemão, ao virar a página de um dos livros do pai. Aí encontrou um envelope que continha um bilhete escrito à máquina, num papel «já amarelado e puído», datado de 1931.  É curiosa a primeira reação do narrador após a leitura do referido bilhete, ainda em momentos de choque, quanto à recolocação do livro – «Preciso guardá-lo exatamente em seu lugar…pois é ela mesma (a mãe) quem organiza a biblioteca conforme um sistema indecifrável, sabedora de que se ela morrer ele estará perdido.».  Porém parece ter encontrado o sítio de onde tinha tirado o  livro. Coisas da psicologia humana… Na verdade, o abalo inicial ter-se-á dado numa visita a Vinicius de Morais, grande amigo da família, que contou muitas histórias do pai de Chico Buarque e, em conversa, terá dito «… aquele irmão alemão…». O narrador / autor conversou com o pai e este abriu-se.
A decisão fica tomada – levar a cabo a busca daquele irmão. Teria sido enviado para um campo de concentração(?), seria um sobrevivente dos horrores da guerra(?), um dos habitantes de Berlim renascida dos bombardeamentos da Grande Guerra (?), um fugitivo aos horrores do nazismo que terá ficado a viver noutro país (?),  um homem residente no Brasil em busca das suas raízes(?).
Mas vamos partir na procura da verdade que se vai revelar. Iremos mergulhar numa aventura complicada, até algo alucinante, mas vale a pena. Boa sorte.
 Margarida A. (professora)

#leituraspartilhadas42

Só o título desperta a curiosidade, não é?

Escrito em 1948, em Paris, cidade que acolheu Jorge Amado, a sua esposa e o filho, João Jorge, a obra já tinha uma finalidade: ser presente do 1.º aniversário do seu filho para que um dia o lesse. Ao que parece os escritos só foram encontrados cerca de trinta anos depois, junto de brinquedos e objetos pessoais do menino. O filho deu o texto a ler a um grande amigo da família, homem de extrema sensibilidade e espírito artístico, Carybé.  Este desenhou sobre as páginas dactilografadas, deixando sobre elas aguarelas assombrosas. Este ato de adesão profunda deu a Jorge Amado impulso para a publicação da obra, e, segundo ele, quanto mais não fosse, para homenagear o talento e a dedicação do seu amigo. Em 1976, em Londres, Jorge Amado declarou que não procedeu a nenhuma reformulação relativamente ao que inicialmente escrevera, pois tal iniciativa iria fazer o texto «perder sua única qualidade: a de ter sido escrito simplesmente pelo prazer de escrevê-lo». Mas sabemos que esta obra está longe de possuir apenas essa qualidade. Tal não seria possível sendo da autoria de um ser com dotes mundialmente reconhecidos para a literatura, assim como para uma imensa entrega à vida em termos sociais e emocionais.

Foi então num «antigamente, mas muito antigamente» que um gato e uma andorinha se envolveram num caso de amor, por sinal bem complicado. E lendo vamos convivendo com deliciosas personificações de elementos da natureza: «Com um beijo a Manhã apaga cada estrela…»;  (referindo-se ao vento) «a Noite suspira ao vê-lo e as árvores do bosque rebolam-se contentes à sua passagem, umas desavergonhadas.» . Num misto de inocência,  ironia e malícia, vai caracterizando as personagens personificadas que se advertem, aconselham, ameaçam, confessam verdades, se submetem e se amam. É um rio fluente de emoções, sensações e encantamento.

Vivamos a história deste poético amor entre o Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, que a Manhã contou ao Tempo, tendo-a ouvido ao Vento, assim entrando num mundo de plena fantasia que tão bem retrata o ambiente psicológico que ainda hoje observamos na realidade quotidiana. Teremos aqui uma boa oportunidade, espero bem, para  tanto adolescentes como mais velhos sorrirmos, rirmos, nos comovermos, sermos solidários e, no fim, nos sentirmos mais alegres e emocionalmente mais ricos.

E como a certa altura o narrador afirma: «A poesia não está somente nos versos, por vezes ela está no coração, e é tamanha, a ponto de não caber nas palavras.».

Margarida A. (professora)

#leituraspartilhadas41

Dou-me ao gosto de deixar um convite para a leitura do livro de contos «FRONTEIRAS PERDIDAS» de José Eduardo Agualusa, considerado um dos mais relevantes escritores de língua portuguesa da atualidade. Nasceu em Angola em 1960, mas, ainda muito jovem, veio para Portugal estudar agronomia e silvicultura num Instituto da Universidade Técnica de Lisboa.

Espero não vos aborrecer e, quem sabe, até vos (re)lembrar o prazer de visitar tantos lugares, pessoas e tempos através das palavras deste homem tão viajado, tão sábio e generoso, muito particularmente como voz ativa contra radicalismos, descriminação e separatismo.

Ao percorrermos os seus contos temos oportunidade de nos surpreender, sorrir, comover, insurgir e viver as mais variadas sensações _ lagartos que riem _ homens brancos que ganham fama e fortuna vendendo quadros pintados por si, mas dizendo que eram pintados por uma sua pobre empregada negra _ um hotel onde se foi atendido e servido e só depois se soube que estava fechado há anos _ homens que mudam de raça em comboios conforme a carruagem transportasse mais brancos, negros, chineses ou indianos.

 E o ser humano vai-se reinventando, seja em Angola, Lisboa, Berlim ou Brasil, pois, como disse Pedro Rosa Mendes: «Fronteiras perdidas», linhas de vida de outras maneiras, um catálogo de paisagens oníricas. Histórias que não são visíveis mas são visitáveis». José Eduardo Agualusa leva-nos a viajar para além do concreto, do real, do consensual. A nossa mente liberta-se e desloca-se livre e solta, sem fronteiras. Sendo um homem que atravessou tantas fronteiras  geográficas, humanas e emocionais, penso que nos poderá ajudar muito na caminhada para a mútua compreensão e na plena vivência da esperança de vivermos um mundo melhor.

Obrigada pela vossa atenção e votos sinceros de que este livro também vos ajude na travessia dos tempos tão difíceis que enfrentamos.

Margarida A. (professora)

Alunos | Divulgação de trabalhos

É no âmbito do Plano de Ação das Bibliotecas Escolares, mais em particular no contexto de E@D, que, hoje, partilhamos mais um conjunto de trabalhos realizados pelos alunos, desta feita, da turma A, do 7.º ano de escolaridade.

Sob a orientação da professora de Ciências Naturais, Verónica Silva, na sequência da exploração da unidade temática “Fósseis”, os alunos elaboraram colunas estratigráficas.

Poderás visualizar todos os trabalhos efetuados no vídeo que se segue.

(E se “Datação relativa” e “colunas estratigráficas” te despertaram alguma curiosidade, dá uma espreitadela aqui.)