Onda Pina – A Poesia em Movimento

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  Assinala-se, hoje, o 71.º aniversário do nascimento (18 de novembro de 1943) do extraordinário escritor, poeta e jornalista Manuel António Pina, Prémio Camões 2011.

   Dando continuidade a projetos anteriores, o Museu Nacional da Imprensa leva a cabo várias iniciativas e convida as bibliotecas escolares  a associarem-se à iniciativa intitulada Onda Pina: a Poesia em Movimento, que envolverá escolas e universidades de Portugal e dos países de língua oficial portuguesa, bem como escolas/ centros de Português de outros países. Pretende-se que, nas mais diversas entidades associadas, em algum momento do dia de hoje, sejam lidos poemas de Manuel António Pina, em salas de aula, bibliotecas ou átrios das escolas.

 

OS LIVROS

É então isto um livro,
este, como dizer?, mur­mú­rio,
este rosto virado para den­tro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subi­ta­mente
ino­cente a toca,
se abre desam­pa­ra­da­mente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espé­cie de cora­ção (o nosso cora­ção)
dizendo “eu“entre nós e nós?

Manuel Antó­nio Pina,  in Como se Dese­nha uma Casa, A&A, 2011

 

Concurso “Faça lá um poema”

   Numa iniciativa conjunta, o Plano Nacional de Leitura e o Centro Cultural de Belém, com o intuito de incentivar o gosto pela leitura e pela escrita, promovem o Concurso de Poesia Faça lá um poema, convidando as escolas públicas e privadas, do 1.º Ciclo ao Ensino Secundário, a participarem.

   Os textos O Chapéu, da autoria de Inês Neto, do 6.º C, e Ilusões, de Beatriz Martins, do 9.º A, foram os selecionados pela equipa da biblioteca escolar para representar a escola EB 2/3 António Correia de Oliveira neste concurso.

O Chapéu

Eu sou um chapéu de grande vigor,

sou redondo e delicado,

mas dizem que não sou digno de valor

e sinto-me magoado.

Um dia puseram-me na montra de uma loja,

e eu muito triste fiquei.

Passaram-se dias e dias

e para ninguém olhei.

Até que um dia,

um homem alto e magro

que vestia de preto,

pegou em mim sem sentimento.

Senti uma angústia enorme

quando na cabeça me tentou pôr.

Ele comprou-me e foi-se embora

com um sorriso assustador.

Ao sair da loja,

uma forte corrente me levou,

voei, fui-me embora

e nunca mais ninguém me apanhou.

Fui dar a volta ao mundo,

até que um dia alguém em mim reparou,

olhou-me e sorriu

e a história recomeçou.

                               ……………………. Inês Neto, 2.º ciclo

….

Ilusões

É sempre o mesmo,

sempre o será.

Debaixo de água, submersa,

acordo antes de me afogar.

Não sei bem, não tenho pressa.

 

Água pura que me rodeia.

Contaminada,

de saudade e memórias,

que me esfaqueia.

 

Oiço rugidos, gritos,

de uma voz outrora afogada.

Cânticos e assobios,

dirigidos à alma amada.

 

No inalcançável

vejo uma imagem,

uma imagem lamentável.

Alguém já esquecido,

que o torna insuportável.

 

Sei que tenho de lá chegar.

Porém, algo me impede.

Me impede de chorar, gritar.

Me impede de sonhar.

Recordações que pesam na consciência,

tornam o cadáver pesado,

de sofrimento e amargura.

Já só é um corpo cansado,

com o ódio que perdura.

 

É sempre o mesmo,

sempre o será.

Debaixo de água, submersa,

acordo antes de me afogar.

Não sei bem, não tenho pressa.

………………………………………………..Beatriz Martins, 3.º ciclo

   Parabéns a todos os participantes e, em particular,

às autoras destes textos, selecionados para integrar o concurso Faça lá um poema.

Ainda, o Dia dos Namorados

     Alguns dos mais belos poemas de amor de autores portugueses estão em destaque na biblioteca escolar. Trata-se de uma iniciativa das  professoras de português, Paula Sobral e Julieta Gomes, que, a pretexto do Dia dos Namorados, procederam à seleção e exposição dos poemas, bem como à divulgação de textos dos seus alunos, alusivos ao Amor. A estes, e como sugestão de leitura para estes dias, a equipa da BE associou alguns dos livros ainda disponíveis.

Doces e ternas leituras!

 

Dia dos Namorados – Concurso de Poesia

     De forma a assinalar o Dia dos Namorados, a Casa da Juventude promove um concurso de poesia, destinado a jovens com idades compreendidas entre 10 e os 30 anos.

     Sob o tema “Amor”, o concurso tem como objetivos, motivar os jovens para o pensamento poético, interiorizar a importância da palavra como expressão de sentimentos e promover a escrita de texto, nomeadamente na sua forma poética.

Consulta  o Regulamento do Concurso na tua biblioteca escolar.

Participa!

POESIA (2)

Poesia e Conto contra o racismo – concurso

 
     “Assinalando o Dia Internacional de Luta pela Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial (instituído pelas Nações Unidas) e aliando esta data ao Dia Mundial da Poesia, o ACIDI – Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, através da CICDR – Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, decidiu instituir a realização de um Concurso de Poesia / Conto Contra o Racismo, com o objetivo de promover a poesia / conto enquanto veículos de combate ao racismo.
   O concurso nacional tem por finalidade eleger poemas e/ou contos que promovam a interculturalidade e o combate ao racismo, com vista à edição em livro a publicar pelo ACIDI, I.P.
   O envio das participações deverá ser efectuado, até 17 de maio 2013, preferencialmente para o endereço electrónico: poesia@acidi.gov.pt ou para a morada: Rua dos Anjos, 66-4º, 1150-039 Lisboa.
     A atribuição dos prémios, cujos valores variam entre 100,00 e 500,00 euros, terá lugar, no dia 24 de junho 2013.”
Cartaz de divulgação aqui
Regulamento do Concurso aqui
Minuta de Declaração aqui
Dúvidas e envio de participações: poesia@acidi.gov.pt

“Biblioteca Verde” – Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade, aos 10 anos, teve a sorte de ganhar do pai uma BIBLIOTECA VERDE.
 …
………………….BIBLIOTECA VERDE
..
– Papai, me compra a Biblioteca Internacional de Obras Célebres.
São só 24 volumes encadernados em percalina verde.
– Meu filho, é livro demais para uma criança!…
– Compra assim mesmo, pai, eu cresço logo.
– Quando crescer, eu compro. Agora não.
– Papai, me compra agora. É em percalina verde,
só 24 volumes. Compra, compra, compra!…
– Fica quieto, menino, eu vou comprar.
 
– Rio de Janeiro? Aqui é o Coronel.
Me mande urgente sua Biblioteca
bem acondicionada, não quero defeito.
Se vier com um arranhão, recuso. Já sabe:
Quero a devolução de meu dinheiro.
– Está bem, Coronel, ordens são ordens.
  
Segue a Biblioteca pelo trem-de-ferro,
fino caixote de alumínio e pinho.
Termina o ramal, o burro de carga
vai levando tamanho universo.
Chega cheirando a papel novo, mata
de pinheiros toda verde.
Sou o mais rico menino destas redondezas.
(Orgulho, não; inveja de mim mesmo)
Ninguém mais aqui possui a coleção das Obras Célebres.
 
Tenho de ler tudo. Antes de ler,
que bom passar a mão no som da percalina,
esse cristal de fluida transparência: verde, verde…
Amanhã começo a ler. Agora não.
 
Agora quero ver figuras. Todas.
Templo de Tebas, Osíris, Medusa, Apolo nu, Vênus nua…

Nossa Senhora, tem disso nos livros?!…
Depressa, as letras. Careço ler tudo.
A mãe se queixa: Não dorme este menino.
O irmão reclama: Apaga a luz, cretino! Espermacete cai na cama, queima a perna, o sono.
Olha que eu tomo e rasgo essa Biblioteca
antes que pegue fogo na casa.
 
Vai dormir, menino, antes que eu perca a paciência e te dê uma sova.
Dorme, filhinho meu, tão doido, tão fraquinho.
 
Mas leio, leio… Em filosofias tropeço e caio,
cavalgo de novo meu verde livro,
em cavalarias me perco, medievo;
em contos, poemas me vejo viver.
 
Como te devoro, verde pastagem!…
Ou antes carruagem de fugir de mim
e me trazer de volta à casa
a qualquer hora num fechar de páginas?
 
Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.

                     (Carlos Drummond de Andrade)